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Coronavírus: Qual é o bom exemplo que a Coreia do Sul está seguindo para salvar vidas em meio à pandemia?

Marcos Pereira
Escrito por Marcos Pereira em 22 de março de 2020
Coronavírus: Qual é o bom exemplo que a Coreia do Sul está seguindo para salvar vidas em meio à pandemia?
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Desde o início da infecção as autoridades já viam tomando as providencias para o vírus não se espalhar e causar pânico em seus cidadães!

O coronavírus (covid-19) se tornou oficialmente uma pandemia na quarta-feira (11/03/2020), após um anúncio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e se tornou o inimigo invisível e silencioso nº1 do mundo.

Naquele dia, o vírus já estava presente em 114 países, com mais de 115 mil pessoas infectadas e mais de 4 mil mortes registradas. Países como a China, Itália, Irã e Coreia do Sul foram os mais afetados pela propagação do vírus que atinge a maior parte da população idosa e com problemas de doenças cronicas.

Para tentar impedir que a infecção alcance mais pessoas, os governos locais tomaram medidas drásticas e conscientes.

A China, por exemplo, isolou várias cidades com milhões de habitantes e construiu hospitais em menos de uma semana para lidar com a emergência de saúde pública, enquanto o governo italiano decretou isolamento em todo o território peninsular. E os resultados têm sido diversos. Enquanto na China as medidas parecem estar conseguido frear o avanço acelerado do vírus, já na Itália, os números de infectados e de mortes não param de crescer em escalas exponenciais.

Mas há um caso que está sendo tomado como exemplo de como lidar com o problema é o da Coreia do Sul, país vizinho da China e Coreia Do Norte.

Apesar de terem um alto número de casos diagnosticados passando de 8 mil (o quarto mais alto do mundo), o número de mortes no país até 16 de março por exemplo foi de 75. Esse dado representa uma taxa de letalidade de 0,9% — menor que as taxas de Estados Unidos, Itália e Irã.

Mas como a Coreia do Sul reagiu à epidemia de coronavírus? E o que outros países poderiam aprender com ela?

A comunicação se tornou uma importante arma contra o vírus

“A Coreia do Sul vem realizando uma campanha agressiva e extensiva para combater o vírus. Disponibilizando todo o seu sistema de saúde para diagnosticar a presença da covid-19 nos habitantes de áreas críticas do país”, explica Bugyeong Jung, jornalista do serviço coreano da BBC.

Daegu foi a cidade onde o surto começou na Coreia do Sul

E há um exemplo interessante sobre isso: Estados Unidos e Coreia do Sul anunciaram o primeiro caso de coronavírus em cada um deles no mesmo dia, 20 de janeiro. Mas até a primeira semana, os americanos tinham feito testes em 4,3 mil pessoas em seu território. Já o país asiático chegou a 196 mil testes durante o mesmo período.

“Este método, embora tenha sido descrito como invasivo, conseguiu salvar vidas”, acrescenta Jung.

O diagnóstico massivo

Quando a epidemia começou a eclodir no final de 2019, e no norte da China, os países vizinhos passaram a ser os primeiros a se contagiar com o novo vírus.

Logo, o sistema de saúde sul-coreano detectou a origem da epidemia em seu território: a cidade de Daegu, no norte, aonde 3/4 do total de casos foram registrados.

Desses, 63% dos casos de contágio estavam relacionados ao grupo religioso Igreja de Jesus de Shinchonji, um culto dedicado a expandir a ideia de que seu fundador, Lee Man-hee, é a segunda encarnação de Jesus Cristo.

“Mas a Coreia do Sul estava preparada para lidar com essa epidemia desde o ano passado, quando teve que lidar com a Mers (outra síndrome respiratória)”.

Médicos já viam trabalhando para conter a propagação em todo país

A estratégia, coordenada pelo Ministério da Saúde, foi estabelecida desde o primeiro dia: o objetivo era criar uma rede abrangente de diagnóstico e de redução da taxa de mortalidade.

“Detectar o vírus em seus estágios iniciais era o essencial para poder identificar as pessoas infectadas, e, assim, impedir ou atrasar sua disseminação”, disse à CNN Park Neunghoo, ministro da Saúde no país.

“Permitindo planejar adequadamente os cuidados de saúde, porque apenas 10% dos infectados precisam de hospitalização”, acrescentou.

Para os especialistas, o método usado pela Coreia do Sul é o mais eficaz, pois permite a obtenção de um panorama mais amplo sobre a disseminação do vírus.

Coronavírus, covid-19, prevenção
Uma força tarefa foi montada para reduzir os riscos de infecções

“A Coreia do Sul monitora mais de 10 mil pessoas por dia, muitas das que tiveram resultados positivos apresentaram sintomas leves”, explica Benjamin Cowling, professor de epidemiologia da Universidade de Hong Kong.

As críticas

A estratégia sul-coreana também enfrenta críticas.

Como aponta o jornalista da BBC Hyung Eun Kim, o volume de informações que o governo revelou à população — o que inclui saber se o seu vizinho de porta tem coronavírus — foi recebido com objeções.

“Existe um medo social que criou-se muitos momentos estranhos entre pessoas de várias cidades. O tempo todo a população recebe informações sobre pessoas infectadas em seus telefones celulares”, diz o repórteres.

“Isso também levou muitos a pedir que o governo não pare de divulgar seus dados pessoais, pelas implicações que isso possam ter”, acrescenta.

A estratégia do país parece estar funcionando: o número de infectados vem diminuindo nos últimos dias, o que fez o governo pensar que a epidemia já havia “atingido seu ponto mais alto” e estava sendo controlada no país

No entanto, na quarta-feira, 18 de março, o próprio ministro da Saúde observou que 90 novos casos foram diagnosticados, o que aumentou novamente a taxa de infecções no país.

O principal motivo foi a detecção de um foco de infecção em um call center localizado na capital do país, Seul.

“As infecções conhecidas neste call center podem ser o início de uma nova onda que leva a um surto regional e à propagação da epidemia”, disse Park, em comunicado oficial.

Fonte de pesquisa: BBC NEWS BRASIL

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